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Sobre os agentes de formação e sua função

A função dos agentes e das estruturas institucionais de formação, no âmbito de nossa reflexão, é tornar os indivíduos conscientes de suas responsabilidades discursivas. E, para tal, é preciso que estes agentes eles mesmos se deem conta também das suas responsabilidades. Como afirmava Gramsci, todos somos, em alguma medida, intelectuais – mas somente alguns grupos de indivíduos gozam de uma função orgânica intelectual na sociedade. A estes grupos atribuo a classificação de agentes de formação – que, por sua vez, compõem-se em corpos institucionais. Refiro-me a todos aqueles que se insiram em contextos educacionais, pedagógicos e acadêmicos. Acrescentem-se ainda aqueles que dispõem de um poder de difusão discursiva relevante - o que comumente chamaríamos de “formadores de opinião”. Estão inclusos nesta categoria artistas, pensadores, cientistas e mesmo qualquer indivíduo que ocupe status de destaque em instituições midiáticas. Tão logo o campo de influência discursiva atinja, em termos quantitativos, um espectro significativo, eis um agente de formação.

Todos os indivíduos, quando em interações sociais, contribuem para a formação subjetiva/discursiva daqueles que destas participam; direta e indiretamente. Todos são agentes de formação em si em alguma medida. Há de se destacar, porém, aqueles que o são para si e que gozam de um poder de difusão discursiva relevante. Todos aqueles que em alguma medida operam exercícios de reflexão e pesquisa sobre temas, objetos e fenômenos que sejam perpassados pela linguagem, isto é, que tenham uma natureza discursiva, dispõem de mecanismos e ferramentas intelectuais especiais se consideramos a intenção emancipatória que se coloca na esfera da práxis. Isto, pois são capazes de apreenderem as vinculações entre a linguagem e as assimetrias de poder, legitimadas e reproduzidas dialeticamente através de práticas sociais discursivas e práticas sociais não discursivas - ou ainda, em termos marxistas, pesquisadores do discurso encontram-se em posição privilegiada para compreender em que medida a superestrutura mantém determinado status quo da infraestrutura. Neste sentido, poderíamos dizer que somente a cumplicidade consciente obsta a uma práxis com vistas à emancipação; pois mesmos as imposições institucionais diante das quais por vezes o indivíduo se vê inerte podem (e devem) ser elas próprias ser colocadas em xeque mesmo no nível puro e simples dos debates e das ideias.
 
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