A despeito da utilização recorrente do termo, faz-se necessário como passo inicial para nosso trabalho que se esclareça o que é entendido aqui como discurso. Trata-se menos de uma tentativa de definição única do que de uma clara exposição para fins da compreensão do trabalho e das consequências teóricas que a acepção adotada nos traz. Remetemo-nos à teoria mínima do discurso, abordada em outros momentos , e que nos parece suficiente. Segundo esta, podemos depreender certa homogeneidade mínima que subjaz às definições mais recorrentes do termo e nas mais diversas áreas do saber ou correntes linguística específicas e que diz respeito à escolha epistemológica de se compreender todo e qualquer fenômeno de interação comunicacional em uma situação historicamente situada - ficcional ou não, verbal ou não verbal - em termos simples: linguagem em uso. Contrapõe-se aqui “linguagem em uso” à langue saussuriana, à competência chomskiana; tal como o enunciado à sentença em Bakhtin. Não nos aprofundaremos aqui quanto aos desdobramentos quanto a este "uso" ou mesmo quanto às perspectivas que não a consideram deste modo - o que se encontra para além do mínimo.